7 min
Porque é que não fazemos testes aos oito anos
Um teste nessa idade mede quem cresceu primeiro, e a cada criança a quem disseram que não tinha nível disseram uma coisa falsa.
Ponha quarenta crianças de oito anos num campo durante uma hora e as que se destacarem serão, de forma esmagadora, as maiores e as mais rápidas. Nessa idade as maiores e mais rápidas são, quase sempre, simplesmente as mais velhas: uma criança nascida em Janeiro é até onze meses mais velha do que uma nascida em Dezembro, o que aos oito anos é perto de um oitavo de uma vida.
O resultado vê-se nos números de entrada das formações de todo o lado: cerca de três crianças nascidas na primeira metade do ano por cada uma da segunda, e equipas sem um único nascido em Dezembro. Isso não é uma distribuição de talento. É um erro de medição, repetido todos os anos, que tira do futebol um número enorme de crianças antes de alguém ter descoberto se elas seriam boas.
Por isso não seleccionamos antes dos treze, fazemos grupos por tamanho tantas vezes como por data de nascimento, e os nossos treinadores sabem o mês de nascimento de cada criança antes da sessão e não depois. Nada disso resolve o problema — uma escola de futebol não consegue — mas garante que não somos nós a dizer a uma criança de oito anos uma coisa falsa sobre ela própria.